A Educação Física na área da Saúde
- 21 de mai. de 2015
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A atuação do profissional da Educação Física na saúde, ainda pouco relacionada no que diz respeito ao senso comum ao habilitado na área referida, parece ser um campo promissor para os próximos anos, apontando inclusive desafios e transformações às grades curriculares da graduação.
A inserção dos profissionais de Educação Física nessa área, pelo que foi possível notar através das entrevistas, é recente e fruto da valorização dos respectivos profissionais na área a partir do reconhecimento de que o exercício físico vem se tornando cada vez mais necessário para uma vida saudável.
Segundo Guimarães (2015), é importante frisar que o Ministério da Saúde (MS), atento aos fatores determinantes de saúde e principalmente aos altos índices de sedentarismo no Brasil, incluiu a atividade física no Sistema Único de Saúde (SUS), como fator primordial para melhorar a qualidade de vida da população. Iniciou assim uma série de ações para promoção da saúde e prevenção de doenças através do exercício físico, e incorporou os Profissionais de EF no quadro de profissionais da Saúde.
Em 2008, foi aprovada a Portaria nº 154/2008 que cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), onde o profissional de Educação Física passou a trabalhar diretamente no SUS, dentro das Unidades de Atenção Básica à Saúde, mais especificamente nas Unidades com Estratégia de Saúde da Família, onde desenvolvem um trabalho multidisciplinar, em parceria com outras categorias profissionais.
O caráter multidisciplinar do trabalho nas Unidades Básicas de Saúde foi um fator de primeira importância citado por todos os entrevistados, que apontaram como fator positivo o fato de terem liberdade para criar projetos e linhas de atuação nas comunidades, entretanto, tudo deve ser pensado para complementar as outras áreas e atuar em conjunto com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais.
Ainda assim, em virtude do eixo multidisciplinar do trabalho, alguns pontos negativos foram apontados com relação à formação dos profissionais, que ainda é deficitária e não aborda muito as relações entre saúde e doença, o que tira a doença de seu contexto, isolando-a e mantendo as intervenções em saúde ainda focadas somente na patologia, a partir de um modelo médico tradicional.
Dessa forma, alguns dos entrevistados citaram a necessidade de existir uma formação voltada para as competências e a capacidade para desenvolvimento de ações de promoção, prevenção, proteção e reabilitação da saúde, o que necessariamente acarretaria em diversas mudanças nos cursos de bacharelado e nas grades curriculares da Educação Física. Em contrapartida, a necessidade fez com que vários desses profissionais buscassem especialização em cursos relacionados à biomedicina, fisioterapia e psicologia.
Essa necessidade é apontada porque uma das possíveis atuações é a de planejar e executar aulas de Educação Física para pessoas que apresentam patologias, como hipertensos e diabéticos, além de orientar, por meio de palestras, a prevenção destas doenças.
A área da saúde aparece como campo de atuação que tende a crescer, expandir e aponta desafios porque é grande a relevância do profissional de Educação Física nessa área, ao qual é conferido um vasto campo de conhecimento sobre a elaboração de programas de treinamento, fisiologia do exercício, tipos de atividades físicas, componentes preventivos, entre outros.
É visível que há um espaço enorme a ser preenchido pelos Profissionais de Educação Física em hospitais, clínicas e postos de saúde. Em algumas instituições, isso já ocorre há anos. Em outras, ainda não. Por isso, a enorme necessidade de se preparar melhor e mostrar, com muito trabalho, a importância das nossas intervenções para a melhoria da qualidade de vida nestes espaços.
Em relação à média salarial desta área de atuação, nenhum dos profissionais entrevistados sentiu-se a vontade para divulgar valores específicos.
Educação Física e Educação
A área educacional é um caminho escolhido por muitos profissionais da Educação Física. Seja pela ampla oportunidade de emprego ou pela estabilidade financeira, é uma opção bastante selecionada entre os profissionais.
Como a realidade escolar não é única, e os sistemas de ensino operam de distintas maneiras, há inúmeras controvérsias em torno das características de atuação nesta área.
Na escola pública, por exemplo, grande parte dos professores demonstrou-se insatisfeito em virtude da pouca valorização do trabalho, dos baixos salários, da falta de políticas públicas voltadas ao esporte e da falta de respeito existente hoje em dia nas salas de aula.
Como pontos positivos, é possível elencar a versatilidade da função, a possibilidade de trabalhar e desenvolver inúmeros projetos, estabilidade no emprego e a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de crianças e adolescentes no convívio diário.
A média salarial oscila bastante se compararmos as redes pública e particular. O cargo é passível de acumulação, e na rede pública o salário oscila entre R$1500,00 a R$ 2000,00 por cargo, em média, para um professor no início da carreira cumprindo com 20horas/aula.
Cursos de especialização, ou de formação continuada na área educacional são de grande valia para o profissional, que pode evoluir no cargo público e adquirir novas oportunidades de trabalho além da sala de aula, com salários maiores, ou receber ofertas de trabalho em escolas particulares de referência. Uma grande parte dos entrevistados complementou sua formação com uma licenciatura em Pedagogia, que dá acesso às funções de coordenador e diretor de escola.
As perspectivas dentro desta área de atuação ainda são desafiadoras. O que alguns entrevistados afirmaram é que o futuro talvez esteja relacionado à possibilidade de se adotar um sistema de treinamentos além do horário de aula, espelhado no sistema americano. Na escola pública, que passa atualmente por uma crise de gestão e uma greve de mais de 50 (cinquenta) dias, as premissas são um pouco desanimadoras, visto que as políticas públicas não vêm destinando interesse e nem prioridade para as áreas educacionais de maneira geral, em detrimento de outras, como é o caso da segurança pública, especificamente no Estado de São Paulo.
Ainda assim, e apesar de todos os problemas, os profissionais atuantes na escola apontaram, de maneira geral, a mágica que se opera quando é possível aliar a prática de esportes e de uma vida mais saudável aos sonhos de centenas de jovens, e às expectativas de proporcionar a esses educandos a oportunidade de vivenciar práticas esportivas que ou foram negadas a esses profissionais, ou lhes foram ofertadas e serviram de inspiração para a escolha em trabalhar nesta área.









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